quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Vamos falar de coisa boa, vamos falar de Cássia Eller


[pausa para o Dia das Crianças]

Eu morava num condomínio e tinha 12 pra 13 anos, mas como eu tinha mais de 1,70m e muito peito, fiquei parcial e perversamente inserida no grupo dos moleques nos seus 18 anos.
E um dia apareceu na televisão da casa de um deles a Cássia Eller cantando. Era uma mulher, espetacular, e eu fiquei olhando intrigada para a tela. Um deles gritou lá de trás:
-- ESSA MULHER É NOJENTA.
Os outros riram.
-- Gostou dela, Mongol? – Mongol era como ele me chamava.
Fiquei ali assustada tentando entender o que fazia dela uma mulher-nojenta e o que eu teria de fazer pra que nunca um homem gritasse isso sobre mim.
O recado não é e jamais será pra ele, que em tantos anos deve ter tido seus aprendizados. É para as meninas, que a essa altura não são tolas como eu era aos 12 anos, mas não custa deixar o apoio:
D E S C O N F I E M de qualquer coisa que um menino disser sobre qualquer mulher. Desconfiem até do que uma menina disser se for negativo, perguntem para outra menina, talvez mais velha, em quem confiem.
Hoje eu me culpo muito por ter, ainda que por meio ano, acreditado que uma mulher tão incrível era nojenta, e que era preciso não ser como nenhuma dessas mulheres incríveis nojentas. E essa é uma culpa que a gente não merece.

O que eu queria mesmo ser é a Cássia Eller.